ISSN: 1647-2829

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N.º 7

Jan. - Abr. 2014

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Teses e Projectos


Conflito entre actividades humanas e a conservação de endemismos insulares numa área de elevada biodiversidade à escala mundial

Projecto

 

Mário Boieiro1,2, António Aguiar3, Carlos A.S. Aguiar1, Paulo A.V. Borges2, Pedro Cardoso2,4, Luis Crespo1,2, Ana Farinha1, Joaquín Hortal1,5, Pedro Martins da Silva6, Dília Menezes7, Carlos Palma1, Fernando Pereira2, Catarina Prado e Castro1,

Carla Rego2, Pedro Ribeiro Silva1, Ana M.C. Santos1,2,5, Isamberto Silva7, José Paulo Sousa6 & Artur R.M. Serrano1,i

 

1 Centro de Biologia Ambiental (CBA) & Platform for Enhancing Ecological Research and Sustainability (PEERS), Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

2 Grupo da Biodiversidade dos Açores (GBA) & Platform for Enhancing Ecological Research and Sustainability (PEERS), Universidade dos Açores

3 Laboratório de Qualidade Agrícola da Madeira

4 Finnish Museum of Natural History, University of Helsinki, Helsinki, Finland

5 Departamento de Biogeografía y Cambio Global, Museo Nacional de Ciencias Naturales (MNCN-CSIC), Madrid, Spain

6 Instituto do Mar – Centro do Mar e Ambiente (IMAR-CMA), Universidade de Coimbra

7 Parque Natural da Madeira

 

i aserrano@fc.ul.pt (responsável pelo projecto)


 

O arquipélago da Madeira é reconhecido pela riqueza do seu Património Natural, apresentando um elevado número de endemismos e áreas naturais em bom estado de conservação. Estes factos levaram à sua inclusão numa das mais importantes Áreas de Elevada Biodiversidade a nível Global e à distinção da floresta Laurissilva como Património Natural da Humanidade. No entanto, parte considerável da biodiversidade da Madeira - composta pelos vários grupos de artrópodes terrestres - permanece ainda insuficientemente conhecida, o que constitui um grave obstáculo à sua conservação.

 

O arquipélago da Madeira foi identificado como uma das áreas na Europa onde ocorreu o maior número de extinções (na sua maioria de gastrópodes) directa ou indirectamente relacionadas com as actividades humanas, e diversos autores têm vindo a alertar para o elevado grau de vulnerabilidade de alguns endemismos. Estes factos tornam premente o desenvolvimento de uma estratégia que tenha como objectivo desacelerar a perda de biodiversidade na Madeira e que simultaneamente forneça informação científica, na qual se possam basear medidas de conservação específicas.

 

O principal objectivo deste projecto foi a análise do conflito entre as actividades humanas e a conservação da biodiversidade do arquipélago da Madeira com o propósito de:

  1. recolher, interpretar e providenciar informação científica que apoie a avaliação dos impactos das actividades humanas sobre as comunidades de artrópodes terrestres e a identificação de prioridades de conservação, quer ao nível taxonómico, quer ao nível espacial;

  2. fornecer informação técnica para a gestão dos habitats naturais e para a mitigação dos impactos negativos resultantes de actividades humanas na biodiversidade do arquipélago da Madeira;

  3. tornar pública a biodiversidade singular do arquipélago da Madeira e as ameaças que sobre ela recaem, destacando a relevância dos endemismos insulares para a conservação da natureza no contexto internacional.

A metodologia adoptada neste projecto consistiu em três abordagens interrelacionadas:

  1. amostragem extensiva cobrindo vários tipos de uso do solo e de maneio, nas diversas ilhas e ilhéus do arquipélago da Madeira (Fig. 1), e utilização de técnicas de amostragem complementares para obtenção de informação sobre diferentes grupos de artrópodes terrestres (e.g., Araneae, Collembola, Hemiptera, Coleoptera, Hymenoptera Formicidae) considerados bons bioindicadores ecológicos e de biodiversidade (Fig. 2);

  2. recolha de informação relevante sobre biodiversidade, ecologia, conservação e biogeografia insular e participação no debate científico internacional sobre estas temáticas;

  3. promoção do envolvimento das autoridades responsáveis pela conservação da natureza, decisores políticos e a população no conhecimento e salvaguarda da biodiversidade endémica da Madeira.

 

Figura 1. Imagens de alguns dos tipos de habitat amostrados no arquipélago da Madeira

a) eucaliptal. © ARM Serrano;

b) vegetação herbácea. © ARM Serrano;

c) Laurissilva. © M Boieiro.

 

No decorrer do presente projecto foram estabelecidas colaborações com especialistas nacionais e estrangeiros e alguns dos resultados obtidos foram já publicados ou encontram-se em fase de análise. Destaca-se a descoberta de novas espécies para a Ciência, novos registos para o arquipélago da Madeira e informação relevante sobre a distribuição e abundância de muitas espécies endémicas de artrópodes terrestres (Fig. 3). Foram ainda analisados padrões espaciais de biodiversidade e identificadas algumas das variáveis ambientais que os determinam e avaliou-se o impacto da perturbação humana na alteração da composição e estrutura das comunidades naturais.

 

 

Figura 2. Diferentes técnicas de amostragem de artrópodes terrestres aplicadas no âmbito do projecto:

a) colheitas por observação directa. © M Boieiro;

b) recolha de amostras de fauna solo. © F Pereira;

c) batimentos padronizados em espécies vegetais seleccionadas. © M Boieiro;

d) armadilhas de queda (pitfall). © C Rego.

 

A análise das áreas de distribuição de vários endemismos permitiu a identificação de espécies vulneráveis e de áreas com elevado valor para a conservação da natureza, informação que deverá ser considerada na gestão do Património Natural da Madeira. Finalmente, importa salientar a estreita cooperação dos elementos da equipa com o Serviço do Parque Natural da Madeira e com o Laboratório de Qualidade Agrícola da Madeira, que muito contribuiu para o sucesso das iniciativas desenvolvidas no âmbito deste projecto.

 

 

Figura 3. Algumas espécies de artrópodes terrestres endémicas do arquipélago da Madeira:

a) Chrysolina fragariae. © ARM Serrano;

b) Hogna ingens. © C Viveiros;

c) Eurygnathus latreillei. © ARM Serrano;

d) Pararge xiphia. © AF Aguiar.

 

 

Projecto

 

PTDC/BIA-BEC/099138/2008

 

 

Financiamento

 

Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

 

 

Mais informação

 

http://insectamadeira.fc.ul.pt/


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